Ser Vegano: O que Significa? (Tudo O Que Precisas De Saber)

Ser Vegano: O que Significa? (Tudo O Que Precisas De Saber)

Vemos produtos no supermercado, vendas online, e no instagram de influencers com selo a dizer «vegano». Vemos pessoas, atores, atletas que têm uma dieta vegana e outros que têm um estilo de vida vegano e outros que são ativistas veganos.

Mas afinal o que significa «vegano»? o que é ter um estilo de vida vegano? o que é ser ativista? E que diferença faz?

Algumas explicações neste sentido é o que pretendo com este artigo. Iluminar pessoas que não estejam familiarizadas com estes termos e pessoas que estão a mudar de vida mas que sentem que estes termos são uma grande confusão.

O Que Significa «Vegano»?

Que não consome nem utiliza alimentos ou produtos de origem animal

Esta é uma definição muito simples e básica do que é ser vegano.

Um produto vegano e que tenha o símbolo que diz «vegano» é um produto que:

  • não contém ingredientes animais;
  • não contém ingredientes derivados de animais;
  • não é testado em animais.

Ser vegano não se limita à alimentação. Ser vegano é uma filosofia de vida, é um estilo de vida dedicado à não crueldade animal, seja ela na alimentação, na forma de vestir ou nos cosméticos que utilizamos. Tudo o que incluir crueldade e sofrimento animal não poderá ser vegano.

Portanto, o veganismo integra várias dimensões da vida e não apenas a vertente alimentar.

Qual É A Diferença Entre Veganismo e Vegetarianismo?

Os termos vegetariano estrito, vegetariano, ovolactovegetariano, ovovegetariano, etc. são termos relativos ao tipo de dieta alimentar.

Pelo contrário, o termo vegano, relativo ao veganismo, refere-se a um estilo de vida que inclui uma alimentação vegetariana estrita.

À alimentação vegetariana estrita também se pode chamar alimentação vegana. No entanto, uma pessoa por ter uma alimentação vegetariana estrita não significa que tenha um estilo de vida vegano. Isto é, uma pessoa pode não comer produtos de origem animal mas utilizar produtos testados em animais, comprar calçado com couro; produtos que provocam sofrimento aos animais e que por isso não são utilizados por pessoas que sejam veganas.

Assim, dizer «Eu sou vegano» só porque a dieta é vegana, não faz sentido. Ser vegano inclui também as outras dimensões da vida.

A dieta ovolactovegetariana inclui alimentos derivados de animais, como os ovos e o leite e exclui a carne/peixe.

A dieta lactovegetariana inclui o leite mas exclui os ovos e igualmente a carne/peixe.

A dieta ovovegetariana é ao contrário, inclui ovos mas exclui o leite e carne/peixe.

A dieta vegetariana estrita exclui todos alimentos que tenham origem animal.

Ponto-Chave: Vegetarianismo refere-se a tipos de dietas alimentares que excluem a carne/peixe e que poderão ou não excluir derivados de animais. Veganismo refere-se a uma filosofia/estilo de vida.

Estilo de Vida Vegano

Como disse anteriormente, ser vegano implica várias dimensões da vida e não apenas a alimentação. Procura excluir, dentro do possível (e dentro das condições de cada um), a exploração e crueldade animal.

Por isso, existem várias vertentes a ter em atenção no dia-a-dia.

Alimentação

Alimentação

Esta não é novidade. Um modo de vida vegano inclui uma alimentação livre de todos os ingredientes de origem animal, tendo ainda em conta a possibilidade de existir um ingrediente que faça parte do processamento mas que não faça parte do produto final, e ainda o impacto nos ecossistemas que um ingrediente (apesar de vegetal) possa ter.

Assim, a alimentação vegana exclui: animais (carne, peixes, moluscos, crustáceos, insetos, gelatina, etc.) leite, ovos, mel, corantes de origem animal (por exemplo o carmim) e qualquer outro ingrediente que envolva animais.

Descobre neste artigo o porque do mel não ser vegano e a importância das abelhas para a sobrevivência do nosso planeta.

Veganos poderão ainda tentar evitar ingredientes de origem vegetal que devido à sua produção massiva estão a prejudicar ecossistemas e a levar espécies à extinção.

Poderão também evitar o consumo de produtos com corantes, devido ao seu historial de testes em animais.

Cosméticos

Cosméticos

O que não falta nas prateleiras de qualquer loja são cosméticos com ingredientes animais ou de origem animal.

A quantidade de ingredientes presente nos cosméticos que pode ter origem animal é infindável. Deixo aqui apenas alguns dos mais frequentes:

  • Mel
  • Cera de abelha / Cera alba
  • Própolis
  • Corante carmim
  • Baba de caracol
  • Lanolina
  • Seda
  • Leite
  • Queratina

Além do produto em si poder incluir ingredientes de origem animal, existem muitos cosméticos que não são veganos porque são testados em animais. 

Infelizmente, a maioria dos cosméticos vendidos em larga escala ainda são testados em animais.

Não é necessário causar este sofrimento aos animais, para podermos utilizar um creme, um perfume ou uma pasta dentífrica. Especialmente com os avanços tecnológicos de hoje em dia.

Apesar de já não ser permitido praticar estes tipo de testes na Europa, todas as marcas que exportam os seus produtos para a China, testam em animais, pois assim a lei chinesa obriga.

A maioria das marcas de fácil acesso e que são produzidas a larga escala pertencem a empresas multinacionais maiores, que são proprietárias de várias marcas. Sendo vendidos na China os produtos são testados em animais.

Exemplos destas multinacionais e de marcas que vendem na China, são:

  • L’oreal: Garnier, Vichy, Lancôme, Kerastase, La Roche-Posay, Diesel, Ralph Laurent, etc.;
  • Estee Lauder: MAC, Clinique, Tommy Hilfiger, DKNY, etc.;
  • Procter & Gamble: Pantene, Herbal Essences, Gillette, Old Spice, etc.;
  • Johnson & Johnson: Neutrogena, Clean & Clear, Aveeno, Johnson’s, etc.;
  • Unilever: Dove, Treseme, Axe, Rexona, Vaseline, etc.;

Cada uma destas multinacionais é proprietária de muitas mais marcas e quase todas vendem na China. Mencionei estas bem conhecidas a título de exemplo.

Vestuário

Calçado

Lamentavelmente até o que vestimos e calçamos é feito com materiais animais. Os mais frequentes são o couro, a lã, a caxemira e a seda.

Cintos, botas, sapatos, sandálias, mochilas, casacos, relógios, são frequentemente fabricados através de couro. É possível encontrar algumas marcas que vendem calçado vegano; botas lindas, resistentes, éticas e sem qualquer material animal.

Estes produtos são geralmente mais caros, no entanto, devemos relembrar que muitos deles são feitos com materiais sustentáveis, por vezes reutilizando plástico. São produzidos por pessoas em boas condições de trabalho e que recebem um salário justo.

Infelizmente, habituámo-nos aos preços da moda rápida, que é tudo menos ética, e não é só para com os animais e ecossistemas mas para com os nossos irmãos humanos.

Uma blusa a 4€ a que custo? A que custo para o planeta? A que custo para os solos? A que custo para os trabalhadores?

Para pudermos comprar uma blusa a 4€ tem de existir muita coisa feia a acontecer por trás.

Um vegano tentará ter em atenção tudo o que está por de trás de uma peça de vestuário. Além de descartar vestuário composto por materiais animais, poderá querer evitar materiais prejudiciais ao ambiente (como o polyester e outros tecidos derivados do petróleo) e privilegiar marcas que sejam responsáveis e éticas.

Cuidado Com O Meio Ambiente

Problemas Ambientais

Um vegano tende a preocupar-se com o planeta, o meio ambiente e com problemas que lhe estejam associados. Exemplos são a desflorestação, degradação dos solos, poluição (ar, solos, rios, mar) e o aquecimento global.

Todos estes problemas impactam de forma muito negativa  a natureza, as plantas, os animais e a nós mesmos.

O veganismo procura formas de viver sem contribuir para o aumento destes problemas e se possível minimizá-los.

Uma das dificuldades mais em voga atualmente é a questão do plástico. É possível viver sem plástico, mas um pouco difícil dada a estruturação do sistema em que vivemos. Reduzir ao máximo o consumo de produtos com plástico e procurar alternativas mais sustentáveis já é um bom caminho a seguir.

Entretenimento

Entretenimento

Uma outra dimensão é a utilização de animais para entretenimento.

Não faz sentido um vegano preocupado com sofrimento animal suportar zoológicos, aquários, touradas ou circos.

Nas touradas o animal é morto. Nos zoológicos e aquários paga-se para ver animais selvagens.

Os animais são capturados e mantidos em cativeiro num espaço milhares de vezes inferior ao que teriam no seu habitat natural. Além da quantidade de espaço, as condições nunca serão como o seu habitat natural e os animais estão em constante exibição e contacto próximo a humanos, o que não faz qualquer sentido.

Os animais são ainda treinados para fazerem espetáculos.

Ativismo

Ativismo

Um vegano poderá querer ser ativista e defender a sua causa.

A maioria das pessoas compra e come cegamente, sem saber o que se passa por de trás. Um vegano poderá querer informar estas pessoas para que elas compreendam a realidade e façam escolhas mais conscientes.

O ativismo pelos direitos dos animais possibilita a proteção de um maior número de animais. E sendo o objetivo salvar o máximo de animais possível, ser ativista é uma excelente opção.

O Movimento Libertação Animal busca o fim da condição de animais como propriedade, o fim de animais em experiências, alimentação, entretenimento e outras atividades que os possam envolver.

Além do ativismo pelos animais, existe também o ativismo pelo ambiente. Estes dois temas interligam-se. A meu ver, não faz sentido o ativismo ambiental não ser alinhado com o veganismo, dada a indústria pecuária ser um dos principais motores do aquecimento global e outros problema ambientais.

Nota Pessoal

Muitas vezes esquecemo-nos que também nós somos animais. E é incrível o quão o funcionamento do nosso corpo é parecido com os outros animais.

Costumo dizer que tivemos a sorte de ter uma inteligência um pouco mais profunda e que prefiro utilizar esta minha inteligência para não causar sofrimento aos outros – aos outros humanos e aos outros animais.

Com esta inteligência adicional temos as ferramentas necessárias para compreender que não precisamos de ser cruéis com os animais para viver, e conseguimos arranjar estratégias de forma a ser saudáveis e estar em harmonia com o que nos rodeia.

Penso que estas questões se relacionam com a forma como escolhemos utilizar a nossa inteligência, com a forma como escolhemos ver as coisas.

Muitas vezes, vejo em grupos de facebook ou outras plataformas na internet, veganos a criticar veganos como se existisse um modelo perfeito, como se não fossemos humanos.

No meu ponto de vista, ser vegano não é ser perfeito no que toca ao sofrimento animal e ao nosso impacto no planeta, não é estar a policiar e criar regras de veganismo, não é criticar e deitar abaixo pessoas que estão a tentar ser melhores, apenas porque há um passo de veganismo que não concretizaram.

Ser vegano é realmente trabalhar passo a passo para que venhamos a ter um planeta mais saudável, com menos crueldade em que não existam ecossistemas a morrer por causa da espécie humana, em que consigamos viver em harmonia com os outros animais e com a natureza.

Este passo a passo é uma aprendizagem – aprender a ser melhor todos os dias, aprender o que podemos mudar para diminuir o nosso impacto negativo no planeta, tendo em conta as circunstâncias de cada um.

E esta aprendizagem, esta mudança, não se faz do dia para a noite, nem através da leitura de um artigo de um blogue que apareceu na pesquisa do google uma vez. É ao ritmo de cada um, com o conhecimento que cada um tem. O objetivo é a entreajuda e não o boicote.

Espero que este artigo vos seja útil e partilhem comigo a vossa boa energia, vegana ou não.  🤗

Cláudia Reis

O meu nome é Cláudia e tornei-me vegana há quatro anos. Tenho licenciatura em fisioterapia, adoro viajar e conversar sobre o corpo humano, veganismo e sustentabilidade. A liberdade é um valor que prezo muito e por isso nada é melhor do que poder contribuir para a liberdade dos animais.

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