Como Saber Se Um Produto É Vegano – Guia

Este artigo tem como objetivo ajudar-te a distinguir produtos veganos de não veganos.

É um guia com alertas sobre ingredientes alimentares que passam despercebidos, bem como sobre cosmética, roupa, calçado, etc..

Como saber se um produto é vegano? Não tem resposta rápida, depende de que produto se trata. Será alimento, maquilhagem, casaco ou calçado?

De uma forma resumida, um produto é vegano se apresentar o símbolo vegan e cruelty-free ou se o rótulo ou etiqueta não incluir qualquer ingrediente ou matéria prima que possa ser de origem animal, bem como a marca do produto em questão não testar em animais. 

Desliza para baixo para descobrires ingredientes que muitas vezes passam despercebidos mas são de origem animal.

Neste guia encontras toda a informação sobre como saber se um produto alimentar, de cosmética ou vestuário/calçado é vegano.

Como Saber Se Um Produto é Vegano?

O veganismo é um estilo de vida que visa eliminar a crueldade animal tanto quanto possível e praticável, e por isso não se limita apenas à dimensão alimentar mas também a todas as outras dimensões que utilizam ingredientes animais ou que de alguma forma exploram os animais, como a cosmética, a indústria têxtil e de entretenimento.

De uma forma simplificada um produto é considerado vegano se:

  • Apresenta o símbolo vegano e cruelty-free;
  • É livre de qualquer ingrediente que possa ter origem animal – descobre quais abaixo.
  • A empresa não testa em animais;
  • A empresa não patrocina eventos que utilizem animais.

Quais Alimentos Não São Vegetarianos?

O estilo de vida vegano exclui todos os alimentos que sejam de origem animal, nomeadamente a carne, peixe, marisco, ovos, leite, mel e qualquer outro alimento/ingrediente que tenha origem animal.

Os processados à base de carne (fiambre, chouriço, mortadela, salame, etc.) não são vegetarianos. E os laticínios (iogurtes, queijo, manteiga, chantili, etc.) não são veganos, uma vez que são derivados do leite animal.

Os tipos de alimentação vegetariana muitas vezes geram confusão. Estas são as diferenças entre as dietas:

  • Ovolactovegetariano: exclui carne e pescado mas inclui ovos e lacticínios;
  • Ovovegetariano: exclui carne, pescado e lacticínios mas inclui ovos;
  • Lactovegetariano: exclui carne, pescado e ovos mas inclui lacticínios;
  • Vegetariano Estrito: exclui todos os alimentos de origem animal.

Uma pessoa vegana pratica uma dieta vegetariana estrita e tem uma filosofia de vida que visa abolir a crueldade animal dentro do possível e praticável em todas as dimensões da vida, o que vai muito para além da alimentação.

Como Saber Se Um Alimento É Vegano

Já compreendemos que carne, peixe, ovos, lacticínios e mel não são veganos.

Alimentos processados como bolachas, pão e gelados contêm uma lista infindável de ingredientes, muitos com nomes que não compreendemos. Alguns destes ingredientes não são veganos.

Uma grande quantidade de produtos processados contém derivados do leite que podem surgir sob a nomenclatura de:

  • Lactose
  • Sólidos de leite desnatado
  • Soro de leite, soro de leite em pó
  • Leite em pó, leite desnatado em pó, leite gordo em pó
  • Caseína, proteína do leite, proteína do leite hidrolisada
  • Manteiga concentrada, óleo de manteiga, manteiga, gordura do leite

Além de derivados do leite, os ingredientes de origem animal mais frequentes em alimentos processados são:

  • Ácido Lático – normalmente derivado de plantas como a beterraba. Quando de origem animal, é encontrado no sangue e no tecido muscular.
  • Albumina – geralmente de origem animal, especialmente clara de ovo.
  • Aromas – podem ser de origem vegetal ou animal.
  • Corante Betacaroteno E160a – geralmente é de origem vegetal mas frequentemente utilizado em conjunto com ingredientes de origem animal.
  • Corante Carmim E120 – proveniente do inseto cochonilha fêmea, é necessário matar uma grande quantidade destes insetos para conseguir um pouco deste corante, muito utilizado na indústria cosmética mas também em bolachas de recheio avermelhado.
  • Inosinato Dissódico – intensificador de sabor que pode ter origem animal (carne).
  • Gelatina – produzida a partir de ossos, ligamentos, tendões e pele animal.
  • Guanilato Dissódico – intensificador de sabor que pode ter origem animal (carne ou peixe).
  • Lecitina – de origem vegetal ou animal. Quando de origem vegetal frequentemente está denominada como lecitina de soja ou lecitina de girassol.
  • Mono e Diglicerídeos de Ácidos Gordos – de origem vegetal ou animal.
  • Ômega 3 – de origem vegetal ou animal.
  • Vitamina D3 – alimentos fortificados com vitamina D3 não são veganos a não ser que a embalagem indique o contrário, uma vez que é obtida a partir da lanolina.

Além de confirmar que o produto é livre de ingredientes de origem animal é importante saber se a empresa dona do produto pratica testes em animais e/ou patrocina eventos com animais.

Por exemplo, The Coca Cola Company, patrocina rodeios nos EUA, e por isso, muitos veganos preferem não consumir produtos desta empresa.

Como Saber Se Um Produto Cosmético É Vegano

A dimensão da cosmética divide-se em duas questões principais: os ingredientes e os testes em animais.

Ingredientes

Os cosméticos incluem vários ingredientes que podem tanto de ser de origem animal como vegetal, por exemplo, a glicerina. Facilita imenso quando as marcas colocam o selo vegan, caso contrário, é necessário contactar as marcas para saber.

Existem alguns ingredientes que nunca são veganos, saber quais facilita imenso na hora de escolher um cosmético. 

Ingredientes de origem animal frequentes em cosméticos:

  • Baba de Caracol
  • Cera alba – produzido pelas abelhas.
  • Corante Carmim E120 – é extraído a partir do inseto cochonilha e pode ser encontrado, por exemplo, em batons.
  • Geleia real – produzida pelas abelhas operários para alimentar a abelha rainha.
  • Lanolina/ Álcool de Lanolina – obtida a partir da lã de ovelha.
  • Leite e Derivados do Leite
  • Mel – imensos cremes e hidrantes incluem mel na sua composição. O mel é produzido pelas abelhas e é o seu alimento, por isso, não é vegano.
  • Seda/Proteína da Seda/Aminoácidos da Seda – substância segregada pelo bicho da seda.
  • Veneno de Abelha

Ingredientes frequentes em cosméticos que podem ou não ter origem animal:

  • Ácido esteárico – quando de origem animal é uma gordura de vacas, porcos, ovelhas, etc. Também pode ser de origem vegetal, incluindo manteiga de cacau e manteiga de carité.
  • Alantoína – ácido úrico de mamíferos, geralmente vacas. Também encontrado em muitas plantas, especialmente confrei. Também pode ter origem sintética.
  • Álcool cetílico – Proveniente da cera originalmente encontrada no espermacete de cachalotes ou golfinhos, mas agora mais frequentemente derivada do petróleo.
  • Álcool cetoestearílico – É uma mistura de álcoois graxos, álcoois cetílicos e estearílicos.
  • Ceteareth – feito a partir de álcool cetoestearílico.
  • Diestearato de glicol – derivado de ácido esteárico.
  • Espermacete – óleo ceroso originalmente derivado da cachalote ou golfinho, mas agora mais frequentemente derivado do petróleo.
  • Estearato de sorbitano – derivado de sorbitol e ácido esteárico.
  • Glicerina – proveniente de óleos e gorduras de origem animal ou vegetal.
  • Palmitato de isopropila mistura complexa de ácido esteárico com ácido palmítico.
  • Polisorbatoderivado de ácidos gordos. É feito de sorbitano polietoxilado (composto químico derivado da desidratação do álcool de açúcar) e ácido oleico, um ácido gordo encontrado nas gorduras animais e vegetais.

Testes Em Animais

Os testes de cosméticos em animais começaram a ser praticados para compreender os efeitos e segurança para a utilização humana. Escusado é dizer que esta prática envolve crueldade animal e que é inaceitável nos dias de hoje.

A comercialização de cosméticos testados em animais é proibida na Europa desde 2013. No entanto, existem muitas marcas que não testam em animais, mas vendem em países que testam obrigatoriamente, nomeadamente a China. 

A marca e os seus fornecedores não testam em animais, mas para vender os seus produtos fisicamente na China Continental, as autoridades do país vão testá-los em animais.

Assim, qualquer empresa que venda fisicamente na China Continental tem os seus produtos sujeitos a testes em animais. Como não é a marca em si que pratica os testes, os produtos podem ser vendidos na Europa.

Caso os produtos sejam vendidos apenas online não são submetidos aos ditos testes.

Empresas que produzem na China não são obrigadas a testar em animais, mas podem escolher este método se assim o entenderem. No entanto, mesmo que estas empresas optem por não testar em animais, caso vendam os seus produtos na China, estes ainda podem estar sujeitos a testes em animais – quando as autoridades realizam testes de forma  aleatória de produtos que se encontram à venda nas prateleiras.

Existem organizações que têm programas de certificação cruelty-free, como o programa Leaping Bunny da Cruelty Free International. Para serem certificadas livres de crueldade e poderem exibir o logo Leaping Bunny as empresas têm de obedecer a vários critérios.

Existe também a certificação da Peta, Beauty Without Bunnies, mas parece não ser tão rigorosa na certificação das empresas.

Estas organizações não têm em consideração as empresas mãe. Frequentemente marcas de produtos veganos pertencem a empresas gigantes que testam em animais ou são donas de outras marcas que testam. Alguns veganos preferem não dar lucro a estas gigantes, uma vez que o seu dinheiro pode acabar investido em testes em animais.

Cada vez mais produtos apresentam o logo Vegan -» este logo apenas tem em consideração os ingredientes, mesmo em cosméticos! Apenas os logos cruelty-free têm em consideração os testes em animais, sendo o Leaping Bunny o mais credível.

Babaria é uma marca espanhola de produtos de higiene, que está a ganhar cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados Portugueses. Os produtos não são testados em animais e a maioria são livres de ingredientes de origem animal e apresentam o selo vegan.

Por vezes encomendo produtos naturais, locais, artesanais e veganos da loja Miristica Biocosmética Vegana.

No Brasil existem várias marcas de cosmética vegana à venda tanto em lojas físicas como online, como a Boni Natural, Cativa Natureza, Biozenthi, Bioart, Twoone Onetwo, Sallve, entre outras.

Como Saber Se Uma Peça De Vestuário & Calçado São Veganos

Quando pensamos em vestuário não vegano vem nos logo à cabeça roupas de pele animal, padrões tigresa e de cobra. Mas existem muitos outros tecidos que são de origem animal:

  • Lã de ovelha/ Cordeiro/ Alpaca/ Angorá/ Mohair/ Merino/ Lama/ Vicunha/ Camelo/ Qiviut (wool)
  • Casimira / Lã de caxemira (cashmere)
  • Couro / Couro bicast (leather)
  • Camurça (suede)
  • Penas (down)
  • Seda (silk)
  • Bombazine (salvo indicação em contrário)
  • Flanela (pode ser feito de lã, algodão ou sintético)
  • Sarja (pode ser feito de lã, algodão ou linho)

É fácil encontrar vestuário vegano,  feito com algodão, algodão orgânico, cânhamo, linho, bamboo, tencel, modal, viscose, polyester, acrílico, nylon, etc.. Os 3 últimos são tecidos à base de plástico e portanto não são degradáveis e libertam microplásticos durante a lavagem.

É mais difícil encontrar calçado vegano, especialmente de inverno, pois a maioria inclui couro. Muitas empresas utilizam cola com ingredientes animais no fabrico de calçado.

Atualmente existem várias alternativas veganas ao couro animal como o couro falso à base de polyester ou poliuretano, pinatex, couro de maçã e couro de cogumelo.

Nae Vegan Shoes é uma marca Portuguesa de calçado e acessórios veganos. A Zouri também é portuguesa e fabrica calçado utilizando cânhamo, algodão orgânico, couro de maçã, cortiça, pinatex e plástico recolhido das praias.

Ideias Para um Guarda Roupa Mais Sustentável

Quando falamos sobre moda vegan é também interessante considerar o impacto ambiental que esta indústria tem, bem como onde são manufaturados os produtos e sob que condições.

Algumas formas de ter um guarda-roupa mais sustentável e ético são:

  • Dar uma nova vida a roupas que já não uses – transformando-as noutras peças, trapos, sacos, etc.
  • Vender o que não gostes de usar ou o que não te serve e comprar em 2ª mão.
  • Selecionar roupas que já não te servem ou já não gostas e dar/trocar com familiares e amigos.
  • Dar a pessoas a quem faz falta.
  • Dar as peças que não queres a lojas ou organizações que as reciclem/reutilizem.
  • Comprar vestuário feito com materiais mais sustentáveis, como algodão orgânico, cânhamo e linho.
  • Comprar de empresas locais e que pagam um salário justo aos seus funcionários.

Conclusão

Se o produto apresentar selo vegan e cruelty-free temos o trabalho facilitado – é quase certo que é vegano.

Caso o produto não tenha certificações, devemos estar atentos e verificar que:

  • O rótulo não revela ingredientes de origem animal;
  • A marca não testa em animais;
  • A empresa por detrás do produto não patrocina eventos com animais ou outros tipos de crueldade.

Caso não seja claro que a empresa não testa em animais, ou, existam ingredientes dúbios, podes fazer uma pesquisa rápida na internet (pode alguém já ter escrito sobre o assunto) e/ou contactar a marca.

Relativamente aos testes em animais, quando contactamos as marcas devemos ser muito detalhados nas questões que fazemos. Algumas marcas dão respostas vagas, ou manipulam a resposta a seu favor, fazendo parecer que não testam em animais, quando na realidade, existe um ou vários países onde o produto pode estar a ser testado.

Espero que este guia te tenha ajudado! 🙂 Se ainda ficas-te com dúvidas ou tens sugestões não hesites em enviar uma mensagem para @greentravelers_ac ou [email protected]

Cláudia Reis

O meu nome é Cláudia e tornei-me vegana há cinco anos. Tenho licenciatura em fisioterapia, adoro viajar e aprender sobre o corpo humano, veganismo e sustentabilidade. O amor que tenho pela natureza leva-me a querer contribuir para a liberdade e bem-estar animal.

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