15 Razões Para Se Tornar Vegano

Com o aumento de produtos veganos nas prateleiras dos supermercados e por ser um tópico cada vez mais falado, poderás estar a perguntar-te quais são as razões para ser vegano.

A lista de motivos para optar pelo veganismo é longa. Os principais estão relacionados com a saúde, ambiente, e claro, com os animais.

Cada um destes temas principais subdivide-se em vários motivos que vou explorar neste artigo. Abaixo podes compreender a importância de uma dieta vegana e o porquê de tantas pessoas adotarem esta alimentação.

O veganismo não se refere apenas à dieta, é uma forma de viver que envolve várias dimensões da vida. Neste artigo vou apenas falar sobre a alimentação vegana que é uma alimentação vegetariana estrita.

Se estás interessado em saber mais sobre as outras dimensões do veganismo acede a este artigo: O Que Significa Ser Vegano?

Ser Vegano Pela Saúde

Ser Vegano pela Saúde

O consumo de produtos animais como tem acontecido nas últimas décadas nos países desenvolvidos não é saudável e é muito superior à quantidade recomendada pelas autoridades de saúde.

Enquanto comer carne em excesso está associado a várias doenças, uma alimentação vegetariana tem sido cada vez mais associada a benefícios de saúde. Se a alimentação for vegetariana estrita (vegana) maiores podem ser esses benefícios.

Nos últimos anos, foi comprovado que uma alimentação equilibrada exclusivamente vegetal é possível em todas as fases da vida (desde bebé até à velhice, incluindo gravidez e lactação).

Se a alimentação for balanceada e adequada às necessidades da pessoa naquele momento da sua vida, a alimentação vegana é saudável e reduz o risco de várias doenças metabólicas, cancro, entre outras.

Sem mais demoras, deixo alguns dos benefícios que a alimentação vegana pode trazer:

  • Menor Pressão Arterial
  • Menor concentração de Colesterol Total e LDL
  • Menor risco de Doença Cardiovascular

A dieta vegetariana está associada a menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Este menor risco poderá explicar-se pelas concentrações de colesterol mais baixas, menor pressão arterial e menor índice de massa corporal.

Além disso, a dieta à base de plantas (dieta com mais alimentos de origem vegetal e menos de origem animal) está associada a menor risco de doenças cardiovasculares, mortalidade por doenças cardiovasculares  e mortalidade em geral.

  • Menor risco de Diabetes

A dieta vegetariana está associada a menor risco de desenvolver diabetes, e para quem tem diabetes tipo 2, está associada a uma redução da hemoglobina glicada e do nível de glicose em jejum.

Consumir pouca ou nenhuma carne está associado a um menor risco de hospitalização ou morte por diabetes.

  • Menor risco de Cancro

A dieta vegetariana está associada a menor risco de cancro em geral,  da mama pós-menopausa e da próstata.

A carne processada (como chouriço, presunto, fiambre, salsichas, etc.) está classificada como carcinogénica (grupo 1). Carne vermelha (não processada) está classificada como provavelmente carcinogénica (grupo 2A).

Ser Vegano Pelo Planeta

Ser Vegano pelo Planeta

Ao longo do tempo, o consumo desmedido por parte de algumas regiões do planeta levaram (e continuam a levar) à perda de milhões de hectares de florestas (incluindo florestas tropicais) e fomentaram as alterações climáticas e a perda de biodiversidade.

Alguns dos motivos para ser vegano pelo planeta são:

Desperdício de Recursos

São produzidos mais produtos animais do que os que são consumidos e a quantidade que é de facto consumida é muito superior à quantidade considerada saudável.

Para sustentar a produção desenfreada de produtos animais, os animais são alimentados com a maioria dos cereais cultivados, que poderiam ser utilizados diretamente para alimentar os humanos.

Para produzir cereais suficientes para alimentar tantos animais são necessárias práticas de agricultura intensiva.

Utilização de Fertilizantes

Na UE, por exemplo, a produção de cereais utiliza enormes quantidades de fertilizantes, a maioria importados. Destes grãos, pelo menos metade é utilizado para alimentar gado.

A utilização destes fertilizantes está relacionada com problemas ambientais significativos: poluição das águas e acidificação dos oceanos, poluição do ar,  depleção de nutrientes do solo e a sua acidificação.

Desflorestação

Para cultivar os alimentos para dar ao gado, diariamente florestas e savanas são transformadas em plantações. A soja é o produto agrícola que mais desflorestação provoca.

A maioria da soja serve para produzir óleo, combustível ou para uma ração proteica destinada à alimentação animal.

A UE é o segundo maior importador de produtos agrícolas associados à desflorestação depois da China.

Menos de 1/4 da soja utilizada na UE é produzida internamente, o que significa que a desflorestação está acontecer nos outros países, subdesenvolvidos, para que a Europa possa criar gado em excesso.

Em média, um europeu consome 61 kg de soja por ano, sendo que 90% está “escondida” no consumo de produtos animais.

Amazon Deforestation

A agricultura animal é a maior causa por detrás da desflorestação da Amazónia.

Comparando com uma dieta tradicional com carne, uma dieta vegana precisa de 18 vezes menos terreno.

Perda de Biodiversidade

A agricultura intensiva que implica a utilização de pesticidas e a destruição de quantidades enormes de floresta prejudica a biodiversidade, a saúde do solo e o clima.

A criação de gado e a produção de alimento para os suster, tem crescido em países com clima tropical onde existe a maior diversidade biológica (na Amazónia, por exemplo).

Nestas regiões, a desflorestação faz com que imensos animais, de diferentes espécies, percam a sua casa. Muitos deles encontram-se atualmente em vias de extinção.

Emissão de Gases com Efeito de Estufa – Aquecimento Global

A pecuária é uma fonte significativa de emissões de gases com efeito de estufa.

Estima-se que a criação de animais seja responsável por 18% das emissões de gases com efeito de estufa — mais do que as emissões de todos os transportes em conjunto.

Os principais gases com efeito de estufa emitidos por esta indústria são o metano, o dióxido de carbono e óxido nitroso.

Uma dieta vegana está associada a uma redução da pegada de carbono de 50%.

Pesca Excessiva

Por esta altura, poderão estar a questionar: 

«Certo, isso é com a carne, e o peixe o que tem de errado?»

Mais de 1/3 dos recursos piscícolas globais são explorados de uma forma insustentável, ameaçando os ecossistemas marinhos.

Entre 20 e 32% do pescado proveniente de habitat natural importado pelos USA é ilegal.

A UE é o maior importador de produtos do mar e importa mais de metade do que realmente consome! Alguns dos produtos são pescados em regiões tropicais onde as comunidades locais dependem deste tipo de alimento e estão agora a sofrer as consequências da pesca excessiva e das alterações climáticas.

Rede de Pesca industrial

A indústria pesqueira utiliza estratégias (como redes enormes), para capturar centenas ou milhares de peixes de uma só vez. Estas práticas resultam na pesca acidental e morte de milhões de animais marinhos (incluindo espécies ameaçadas) como golfinhos, tubarões, tartarugas, entre outros.

Bem sabemos que uma grande parte do peixe vendido no supermercado é proveniente de aquicultura, mas esta também não parece ser uma solução umas vez que traz consigo várias consequências ambientais.

A aquicultura é responsável por poluição, surtos de doenças e também pela necessidade de produção de alimento, por exemplo, à base de soja.

Ser Vegano Pelos Animais

Ser vegano é a melhor opção para ajudar os animais e diminuir a crueldade animal!

Ao não consumir produtos de origem animal, diminuímos a sua procura, resultando em menos animais a sofrer em quintas e matadouros.

Os Animais São Seres Sencientes

Na indústria animal, os animais são tratados como objetos que servem para gerar o maior lucro possível. Ao contrário de como são tratados, os animais são seres sencientes – cada vaca, porco, frango, peixe, coelho sente dor, stress e medo.

Vários estudos são feitos em porcos, com a justificação de que o seu funcionamento é muito semelhante ao ser humano.

«O porco é parecido ao humano?»

Sim, o porco e o humano têm muitas semelhanças entre si, desde traços fisiológicos e anatómicos, ao posicionamento e funcionamento de órgãos. Além disso, o seu sistema neurológico permite-lhe sentir, criar relacionamentos, e consegue até perceber quando algo está errado, e que vai morrer em breve.

Cada animal, entre os biliões produzidos para a alimentação humana, é um ser que sente e que passou toda a sua vida em sofrimento até acabar por ser morto.

Não é por acaso que a maioria das pessoas que comem carne, quando confrontadas com a realidade, revelam não conseguir matar um animal.

Os Animais São Criados em Condições Cruéis

As condições nas fazendas industriais estão longe ser aquilo que nos mostra a publicidade da TV e as imagens das caixas dos ovos ou leite.

A indústria animal não olha a meios para atingir os fins.

Esta indústria apenas se interessa por uma coisa: dinheiro. O foco é produzir a maior quantidade de carne possível, o mais rápido e barato possível, no espaço que há.

Isto tem como resultado animais sem espaço sequer para dar um passo, a viver em condições o suficiente apenas para sobreviverem. Muitos nunca respiram ar fresco ou veem a luz do dia. Muitos morrem pelas condições horríveis onde estão inseridos e não chegam à próxima fase – o matadouro.

«E o leite? De onde vem o leite?»

Naturalmente, uma mulher produz leite quando tem um filho; quando o filho deixa de mamar, o corpo da mulher para de produzir leite. As vacas não são diferentes. Para uma vaca produzir leite ela precisa de engravidar e ter um filho. Este leite é produzido porque tal como acontece com os humanos, o novo ser precisa de ser nutrido com o leite da mãe.

Na indústria leiteira, as vacas são engravidadas à força. Após o nascimento, o vitelo é retirado da sua mãe e o leite que era a si destinado é vendido para consumo humano.

↓↓Vídeo com conteúdo sensível, que demonstra violência, porém real↓↓

As vacas leiteiras passam a  vida a produzir leite, a sofrer pela separação dos filhos, e com doenças dolorosas nas mamas. Isto acontece sempre, independentemente de ser uma vaca que esteja a pastar no campo ou confinada num espaço pequeno como a maioria está.

As condições para a produção de ovos não são muito melhores.

Ao nascer, os pintos macho são separados das fêmeas. Como os pintos macho não produzem ovos e não são do tipo que é geralmente utilizado para produzir carne, eles são asfixiados ou triturados vivos.

Por outro lado, o destino das fêmeas é viver em gaiolas em conjunto com outras galinhas; muitas vezes sem espaço sequer para mexer uma asa, ou qualquer movimento necessário ao seu bem-estar.

Acontece, derivado ao ambiente onde estão inseridas, galinhas terem comportamentos estranhos, de canibalismo e automutilação; por isso, quando ainda são pequenas o seu bico é cortado. 

Ser Vegano Pelas Pessoas

Esta pode ser uma razão para ser vegano que não esperavas ver neste artigo.

  • Condições de Trabalho

Já te perguntas-te sobre qual é a história dos alimentos que consumes?

Antes de chegar ao teu prato o alimento passou por vários procedimentos e pelas mãos de várias pessoas.

Existem vários setores onde o tráfico, trabalho forçado e, em geral, o abuso dos direitos humanos são comuns, e os setores da pesca e da carne estão incluídos.

Além disso, a conversão de florestas em campos agrícolas é uma ameaça aos direitos humanos e à vida das comunidades locais e povos indígenas.

  • Combate à Fome

Cerca de 811 milhões de pessoas não têm comida suficiente, mas o mundo já produz alimento suficiente para alimentar todas. Porque estão elas a passar fome?

Duas das razões pelas quais isto acontece são o grande desperdício alimentar e a dificuldade de acesso a um mercado alimentar global; no entanto, uma das principais razões é estar a ser produzido alimento para criação de gado, e não diretamente para a alimentação humana.

Conclusão

A consciência em torno do veganismo está a aumentar porque uma alimentação à base de plantas traz consigo grandes benefícios e pequenos malefícios. 

Enquanto potencia a saúde humana, tem um menor impacto ambiental e não promove a crueldade animal.

Deixo aqui alguns dos documentos e artigos científicos onde retirei a informação para enumerar estes benefícios e onde podes aprender mais (em inglês):

Oussalah A, Levy J, Berthezène C, Alpers DH, Guéant J-L, Health Outcomes Associated with Vegetarian Diets: An Umbrella Review of Systematic Reviews and Meta-Analyses, Clinical Nutrition, https://doi.org/10.1016/j.clnu.2020.02.037.

Watling, C.Z., Schmidt, J.A., Dunneram, Y. et al. Risk of cancer in regular and low meat-eaters, fish-eaters, and vegetarians: a prospective analysis of UK Biobank participants. BMC Med 20, 73 (2022). https://doi.org/10.1186/s12916-022-02256-w

Kim H, Caulfield L, Garcia-Larsen V, Steffen LM, Coresh J, Rebholz CM. Plant‐Based Diets Are Associated With a Lower Risk of Incident Cardiovascular Disease, Cardiovascular Disease Mortality, and All‐Cause Mortality in a General Population of Middle‐Aged Adults. Journal of the American Heart Association. Aug 2019. Doi: https://doi.org/10.1161/JAHA.119.012865

Papier, Keren et al. “Vegetarian diets and risk of hospitalisation or death with diabetes in British adults: results from the EPIC-Oxford study.” Nutrition & diabetes vol. 9,1 7. 25 Feb. 2019, doi:10.1038/s41387-019-0074-0

 
Cláudia Reis

O meu nome é Cláudia e tornei-me vegana há cinco anos. Tenho licenciatura em fisioterapia, adoro viajar e aprender sobre o corpo humano, veganismo e sustentabilidade. O amor que tenho pela natureza leva-me a querer contribuir para a liberdade e bem-estar animal.

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